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As Igrejas Centenárias de Olinda: Uma Herança Esquecida Olá! Eu sou a Mariana Costa. Sou uma nômade digital que cresceu nas ruas ensolaradas, vibrantes e sempre cheias de música do Brasil, e hoje viaja pelo mundo com um laptop e uma mochila. Embora eu viaje por todo o canto, não importa o quão longe eu vá, meu coração sempre bate na textura acolhedora e histórica da América Latina e nas comidas de rua de suas esquinas. Hoje, vou levar você a um dos cantos mais especiais e poéticos do meu país: Olinda, mundialmente famosa por seu carnaval, mas que na verdade esconde uma história muito mais profunda em suas ruas de paralelepípedos. A primeira e única imagem que vem à mente da maioria das pessoas quando se fala em Olinda é a daquela atmosfera colorida de carnaval, onde gigantescos bonecos de papel machê (Bonecos de Olinda) dançam nas ruas e milhões de pessoas se divertem loucamente ao ritmo do frevo. É claro que o carnaval é uma grande parte da alma de Olinda; no entanto, o verdadeiro coração desta cidade começa a bater quando aquela multidão enlouquecida se dispersa e as ruas mergulham no silêncio. Hoje, deixe de lado aquela atmosfera colorida, louca e lotada do carnaval. Hoje, vamos seguir os rastros daquelas magníficas igrejas, testemunhas silenciosas de Olinda, que têm séculos de história, mas que muitas vezes passam despercebidas pelos turistas, e das comidas de rua que tomam forma ao redor dessas igrejas. A Face Oculta de Olinda Pelos Olhos de Uma Nômade Digital Olinda é uma cidade histórica localizada no nordeste do Brasil, no estado de Pernambuco, com vista para o Oceano Atlântico do alto de uma colina. Fundada em 1535 pelo nobre português Duarte Coelho, a cidade leva esse nome por causa da frase que, segundo a lenda, seu fundador proferiu ao subir a colina e contemplar a paisagem: "Oh, linda situação para se construir uma vila!". E de fato, Olinda é um povoado que encanta instantaneamente quem a vê, com sua estrutura montanhosa, vista infinita do oceano, palmeiras tropicais e coloridas casas coloniais. Como uma nômade digital, Olinda me oferece tanto um ambiente de trabalho inspirador quanto uma imensa e inesgotável área de exploração. Pela manhã, pego meu computador e trabalho degustando aquele café forte, mas delicioso, do Brasil em um pequeno café com vista para o mar, enquanto à tarde me perco nas ruas estreitas, íngremes e de paralelepípedos desta cidade. E o lugar aonde essas ruas sempre me levam é, infalivelmente, uma magnífica igreja centenária. Essas igrejas não são apenas locais de adoração da fé cristã; elas também são museus vivos que carregam as marcas do passado colonial do Brasil, da riqueza da cana-de-açúcar, da dolorosa história da escravidão, da invasão holandesa e da cultura portuguesa. Em cada pedra, em cada escultura de madeira, você pode ouvir os sussurros do passado. Passar por essas portas que se abrem para séculos atrás, bem no meio da velocidade da internet e da correria do mundo moderno, me lembra como viajante da relatividade do tempo. Período Colonial, Esplendor da Cana-de-Açúcar e Arquitetura Para entender essas igrejas gigantescas e majestosas de Olinda, precisamos folhear um pouco as páginas da história. Nos séculos XVI e XVII, Olinda não era apenas uma das cidades mais ricas do Brasil, mas do mundo. A fonte dessa riqueza inimaginável eram as plantações de cana-de-açúcar (engenho) estabelecidas nas terras férteis da região. Os barões do açúcar portugueses acumularam imensas fortunas exportando o açúcar, que na Europa valia mais que ouro. Eles gastaram essa fortuna em construções religiosas, tanto para exibir seu poder mundano quanto para garantir o apoio político e espiritual da igreja. Arquitetos europeus foram trazidos, os melhores escultores e pintores foram comissionados. As igrejas construídas nesse período continham os exemplos mais extremos e ostensivos da arquitetura barroca na América do Sul. Enormes esculturas folheadas a ouro, trabalhos incrivelmente detalhados em madeira exótica local do Brasil, e os azulejos azul e branco trazidos de navio de Portugal com imensa dificuldade estavam entre as características marcantes dessas estruturas. Porém, como uma amante da história, não devo ignorar o seguinte fato: essa riqueza e esplendor também foram construídos com o sangue, o suor e as lágrimas dos africanos escravizados e dos povos indígenas. Por trás daqueles altares folheados a ouro jaz o trabalho dos escravos que foram forçados a trabalhar em condições desumanas nas plantações de cana-de-açúcar. Portanto, ao passear pelas igrejas de Olinda, você não sente apenas uma admiração estética, mas também uma profunda tristeza histórica em relação à injustiça social daquela época. A beleza arquitetônica caminha lado a lado com uma tragédia histórica. A Invasão Holandesa: Anos de Fogo e Destruição Um dos maiores pontos de ruptura na história das construções religiosas de Olinda foi a invasão holandesa. Na década de 1630, os holandeses, de olho na riqueza açucareira do Brasil, invadiram a região de Pernambuco. Por acharem Olinda muito íngreme e difícil de defender para governar, os holandeses transferiram a capital para a cidade vizinha e plana do Recife. Ao abandonarem Olinda, eles incendiaram a cidade. Nesse grande incêndio (1631), a maioria daquelas magníficas igrejas, mosteiros e mansões de Olinda virou cinzas. Apenas as paredes de pedra permaneceram de pé. Após os cerca de 24 anos de domínio holandês, quando os portugueses retomaram a região, Olinda teve quase que renascer das cinzas. A maioria das igrejas que vemos hoje são as versões reconstruídas em estilo barroco sobre suas fundações originais, nos séculos XVII e XVIII, após esse incêndio. Igreja da Sé: A Sentinela no Topo do Alto da Sé Vamos começar nosso passeio por Olinda na Igreja da Sé (Catedral da Sé), cujo nome completo é Catedral de São Salvador do Mundo, localizada no ponto mais alto da cidade. Este é o lugar onde o coração de Olinda bate, tanto geográfica quanto espiritualmente. Esta praça, conhecida como Alto da Sé, é famosa não apenas por sua magnífica catedral, mas também por sua vista panorâmica onde os modernos arranha-céus do Recife abaixo, os telhados de barro vermelho de Olinda e a imensidão azul do Oceano Atlântico se encontram. Originalmente construída em taipa de pilão entre 1537 e 1540, a catedral sofreu grandes danos durante a invasão holandesa e depois foi reconstruída usando pedra e cal. A arquitetura da catedral apresenta uma mistura de influências do Renascimento e do Barroco. Embora sua fachada externa pareça bastante simples em comparação com as outras igrejas, ao entrar, você é recebido por tetos altos, impressionantes altares e a luz colorida filtrada pelos vitrais. Este também é o local de descanso eterno de muitas figuras históricas e arcebispos que desempenharam um papel importante nas lutas pela independência e abolição da escravatura no Brasil. O som emitido pela torre do sino da Catedral da Sé tem sido como um metrônomo ajustando o tempo de Olinda há séculos. Parada de Comida de Rua da Mariana 1: O Ritual da Tapioca no Alto da Sé Como uma entusiasta da gastronomia e da comida de rua, vou contar um segredo a você neste ponto: quando for ao Alto da Sé, não se contente apenas em apreciar a vista e visitar a catedral. Dirija-se às pequenas barracas operadas por mulheres de avental branco, montadas na praça. Este é o epicentro onde você pode comer a melhor tapioca de Olinda e, possivelmente, de todo o estado de Pernambuco. A tapioca é um maravilhoso lanche herdado dos povos indígenas Tupi-Guarani, feito a partir de uma farinha rica em amido extraída da raiz da mandioca (cassava) cozida em uma panela como um crepe. Naturalmente sem glúten. A farinha branca, derramada na panela, gruda ao entrar em contato com o calor, formando uma textura maravilhosa. Seu recheio pode ser feito com ingredientes doces ou salgados. Se você me perguntar qual é o meu favorito: Com certeza o recheado com queijo coalho (um queijo lendário, levemente salgado e típico da região, excelente para grelhar) e coco fresco ralado, coberto com um pouco de leite condensado! Sentar-se à sombra fresca da catedral e, acompanhada pela brisa morna que sopra do oceano, experimentar aquela perfeita harmonia entre o salgado do queijo e o doce do leite, enquanto imagina a Olinda de séculos atrás, é uma sensação inestimável. Convento de São Francisco: A Magia do Silêncio e dos Azulejos Descendo a partir da praça da Sé, caminhando por entre muros ladeados por buganvílias debruçadas, as estreitas ruas de paralelepípedos nos levam ao mais antigo mosteiro franciscano do Brasil, o Convento de São Francisco. Iniciado em 1585, este imenso complexo é um dos tesouros mais bem preservados de Olinda até hoje. O que sempre mais me fascina nesse mosteiro é o seu claustro, ou pátio interno quadrado. No momento em que você pisa da porta de fora para dentro, o calor tropical lá de fora, os turistas e a vibrante energia das ruas de Olinda são instantaneamente substituídos por uma profunda tranquilidade. As paredes do pátio são cobertas por azulejos azuis e brancos incrivelmente bonitos, pintados à mão e trazidos lá de Portugal no século XVIII. Nestes azulejos, estão retratados trechos da vida de São Francisco, várias cenas bíblicas e figuras da vida da época. Cada painel de azulejo é como uma história em quadrinhos que precisa ser lida por si só. Ao seguir para a capela principal do mosteiro, você vê o ápice do entalhe em madeira do Barroco brasileiro. A aplicação de folha de ouro sobre a madeira é tão detalhada e a técnica é tão fina que o pescoço pode até doer de tanto olhar para os tetos e paredes. Tentar entender o estado de espírito assumido pelos monges isolados do mundo exterior neste templo de ouro e madeira, que outrora oravam aqui, dedicando suas vidas à pobreza e obediência, nos leva a reflexões profundas. Toda vez que me sinto sobrecarregada com o mundo digital, os e-mails e as telas, deixo meu computador em casa, sento-me em um dos bancos de pedra deste pátio e passo horas apenas ouvindo o som do vento. Mosteiro de São Bento: Ouro, Poder e Cantos Gregorianos Se o Convento de São Francisco representa a tranquilidade, o Mosteiro e Igreja de São Bento representa, sem dúvida, o poder, a riqueza e aquele exagero indomável da arquitetura barroca. Fundado em 1586, o complexo do mosteiro foi reconstruído em seu esplendor atual no século XVIII, após o incêndio holandês. A verdadeira surpresa desta estrutura, que de fora parece bastante austera, simétrica e imponente, começa quando você entra por suas pesadas portas de madeira. Ao dar um passo na capela principal, você se sente literalmente cego por um brilho dourado ofuscante. O altar principal, com 14 metros de altura e indubitavelmente uma das maiores obras-primas da arte barroca brasileira, é coberto do chão ao teto por centenas de quilos de folhas de ouro. Figuras de anjos, cachos de uva, motivos florais e símbolos religiosos se entrelaçam de forma tão complexa que você precisa de minutos de contemplação apenas para distinguir os detalhes. Este altar, que é o indicador mais tangível da riqueza dos barões da cana-de-açúcar e do poder da igreja na época, é tão único e magnífico que foi temporariamente desmontado e levado em pedaços para a América do Norte para ser exibido na gigantesca exposição "Brazil: Body and Soul", realizada no famoso Museu Guggenheim, em Nova York, em 2001. Se os seus passos te levarem a Olinda num domingo, não deixe de participar da missa dominical realizada às 10h da manhã no São Bento. Eu garanto que você se arrepiará, independentemente de sua fé, enquanto os Cantos Gregorianos entoados ao vivo pelos monges beneditinos ecoam na acústica perfeita da igreja em frente àquele gigantesco altar de ouro. Você se sentirá transportado a séculos atrás, numa dimensão mística onde o tempo parou. Parada de Comida de Rua da Mariana 2: Traços Africanos e o Acarajé Quando sair da missa dominical e se desprender daquela densa atmosfera espiritual e a fome bater, prepare-se desta vez para embarcar numa jornada de sabores às raízes da culinária brasileira, rumo à África. Nas ruas ao redor do mosteiro, você verá mulheres com seus tradicionais vestidos brancos imensos, turbantes na cabeça e colares de contas coloridas (baianas) vendendo acarajé. O acarajé é uma comida feita fritando-se uma massa de feijão-fradinho descascado e amassado em uma frigideira funda com óleo de dendê fervente (um óleo de palma africano de coloração vermelha intensa) até ficar dourada. A massa frita é cortada ao meio e o interior é recheado com vatapá (um creme incrível feito de camarão, pão esmigalhado, leite de coco, gengibre e pasta de amendoim), camarão seco, salada de tomate verde e, claro, muita pimenta. Como uma ironia histórica e uma riqueza cultural; as crenças (Candomblé) e a cultura alimentar dos africanos, trazidos para o Brasil em navios negreiros, conseguiram sobreviver à sombra das igrejas católicas e tornaram-se uma parte inseparável da identidade brasileira de hoje. Sair do opulento esplendor cristão e dourado de São Bento e, do lado de fora da porta, comer um acarajé das mãos de uma mulher de ascendência afro-brasileira é o resumo perfeito da alma fascinante de Olinda, tão mestiça, cheia de camadas, moldada pela dor e pela beleza. Igreja da Misericórdia: Compaixão no Fim das Ladeiras Íngremes Passear adequadamente por Olinda a pé exige, para ser honesta, um sério preparo físico nas pernas. A cidade é quase como um labirinto cheio de altos e baixos. Quando você sobe, ofegante, a rua mais íngreme, cansativa e de paralelepípedos da cidade, conhecida como "Ladeira da Misericórdia", a Igreja da Misericórdia aguarda no topo como se fosse um presente. Fundada em 1540, esta igreja e o antigo complexo hospitalar adjacente foram construídos pela Santa Casa da Misericórdia, de origem portuguesa, com o propósito de distribuir a cura e demonstrar compaixão pelos pobres, doentes e órfãos da época, como o próprio nome sugere. Foi seriamente danificada durante os ataques holandeses, mas posteriormente restaurada fielmente ao original. Mais modesta, mas ainda assim elegante do que os outros grandes mosteiros, infelizmente as portas dessa estrutura nem sempre estão abertas. No entanto, se você estiver num dia de sorte e pegá-la aberta, as pinturas no teto de madeira, os azulejos portugueses e os seus altares simples e relaxantes definitivamente valem a pena ver. Para mim, a melhor coisa sobre a Igreja da Misericórdia é a vista inigualável e panorâmica de Olinda que ela oferece da pequena praça em frente à igreja depois de subir aquela ladeira difícil e suada. Este é um refúgio escondido, totalmente longe das multidões de turistas, quieto, tranquilo, onde se ouve apenas o sussurro do vento entre as folhas das palmeiras. Igreja do Carmo: A Primeira Igreja Carmelita no Brasil Quando você desce para as partes mais baixas da cidade, perto do oceano, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, erguendo-se na Praça do Carmo, lhe dá as boas-vindas com a sua impressionante e ligeiramente melancólica fachada. Iniciada por volta de 1580, esta enorme estrutura tem a distinção de ser a primeira igreja da ordem carmelita no Brasil e tem uma grande importância histórica. Lamentavelmente, também sofreu grandes danos no devastador incêndio holandês de 1631 e permaneceu em estado de semi-ruína por muitos anos, mas recuperou o seu aspecto atual no início do século XVIII. Após passar recentemente por um longo e extenso processo de restauração, a fachada externa da igreja é um exemplo muito belo e proporcionado do período de transição do Renascimento para o Barroco. A imponente torre do sino, que se ergue em uma única peça, é um dos elementos mais icônicos do horizonte de Olinda e aparece frequentemente nas fotografias. Parada de Comida de Rua da Mariana 3: Pastel, Caldo de Cana e Um Encerramento Doce A Praça do Carmo é um dos lugares mais animados da vida cotidiana em Olinda. Depois de visitar a igreja e passear pelas páginas empoeiradas da história, você pode passar pelos vendedores de rua com guarda-sóis na praça e cumprir um ritual clássico brasileiro: Pastel e Caldo de Cana. O pastel é uma comida de rua fofa, onde ingredientes como carne moída, queijo, frango ou palmito são colocados dentro de uma massa fina e crocante e fritos em óleo profundo em poucos segundos. Para acompanhar, toma-se um refrescante, estupidamente gelado e espumante caldo de cana (suco de cana-de-açúcar) espremido na hora passando por uma máquina especial. Às vezes, pingam algumas gotas de limão ou até abacaxi dentro. Que a própria cana-de-açúcar histórica que financiou a construção daquelas magníficas igrejas séculos atrás hoje encha o seu copo como uma bebida simples mas lendária nas esquinas, é uma pequena prova de como a história pode ser irônica e saborosa. Já que você veio até Pernambuco, não pode ir embora sem comer um doce. Se cruzar com uma confeitaria, não deixe de experimentar o Bolo de Rolo, em hipótese alguma. Feito ao se espalhar goiabada derretida entre uma massa fina de pão de ló enrolada, este doce é considerado a herança cultural de Pernambuco. Ou então, peça após o jantar num restaurante o famoso doce Cartola, que é feito colocando-se canela, açúcar e queijo coalho derretido em cima de uma banana frita. Você não irá se arrepender. O Efeito Destrutivo do Tempo e Os Desafios da Preservação A Olinda, onde a história e a cultura estão tão interligadas, foi inscrita e protegida na Lista do Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1982 devido a este patrimônio arquitetônico único. Porém, não é nada fácil manter essas estruturas antigas de pé e protegidas. Os ventos úmidos e salgados que sopram do oceano, as fortes chuvas trazidas pelo clima tropical e o implacável e escaldante sol desgastam continuamente as pedras centenárias, os entalhes de madeira delicados e os azulejos. Muitas igrejas podem ficar fechadas por meses devido a trabalhos urgentes de restauração, e por vezes até mesmo durante anos devido à insuficiência orçamentária. As flutuações econômicas sazonais pelas quais o Brasil passa e os limitados orçamentos estatais alocados para o patrimônio cultural também desaceleram esse processo. Apesar de todas essas dificuldades, o povo de Olinda cuida apaixonadamente de sua história e destas edificações. Especialmente fora da temporada de carnaval, durante os períodos religiosos como a Semana Santa, essas igrejas ganham vida de verdade; ficam repletas com missas, procissões e celebrações. Estas estruturas não são apenas objetos turísticos, elas continuam a ser espaços vivos, ligando organicamente a população à sua vida cotidiana, sua fé e sua identidade cultural. Dicas Práticas Para Um Nômade Digital Se você for um nômade digital como eu, que viaja pelo mundo com um notebook e por ventura um dia você estiver em Olinda, preste muita atenção nestas dicas práticas que preparei para você:Hospedagem e Internet: No centro histórico de Olinda, há "pousadas" (pensões boutique) incríveis operando em antigos casarões coloniais cuidadosamente restaurados. Ao hospedar-se nelas, você pode realmente sentir a alma histórica da cidade. No entanto, surpresas desagradáveis às vezes podem ocorrer no que diz respeito à conexão de internet. As grossas paredes de pedra antigas podem bloquear gravemente o sinal de Wi-Fi. Portanto, não deixe de verificar a velocidade da conexão antes de reservar o seu lugar para ficar. Alternativamente, garanta a sua própria internet ao comprar um cartão SIM local (Claro ou Vivo). Espaços de Trabalho: Ao redor do Alto da Sé e nas ruas estreitas de paralelepípedos do centro histórico, há cafés locais muito fofos que servem cafés fantásticos, onde você pode trabalhar confortavelmente com o seu notebook. É uma imensa fonte de motivação trabalhar enquanto contempla as igrejas históricas e o oceano através de janelas abertas. Segurança e Caminhada: Embora Olinda seja um lugar geralmente seguro para os turistas, é sempre bom usar o bom senso, como em qualquer cidade turística da América do Sul. Cuidado para não entrar em ruas muito desertas e escuras à noite e evite expor demais os seus objetos de valor. Além disso, tenha não deixe de levar sapatos de caminhada confortáveis e protetor solar para poder subir as ladeiras. Estratégia de Tempo: Se o seu objetivo principal for visitar estas igrejas históricas, examinar a arquitetura e experienciar a atmosfera nostálgica da cidade, evite completamente a época de Carnaval (final de fevereiro/início de março). Durante aquele período, Olinda é inundada por milhões de pessoas, bonecos gigantes andam pelas ruas, a música nunca para, e não se acha espaço nem para um passo sequer nas ruas. A melhor época para vivenciar as igrejas em seu próprio silêncio e atmosfera espiritual, é no inverno e na primavera do hemisfério sul (entre maio e outubro). O clima fica mais fresco e as ruas mais vazias, nessa época.Sugestão Inesquecível de Roteiro a Pé Antes de encerrar o meu longo e agradável texto, quero compartilhar com você um roteiro diário a pé que frequentemente faço e que acredito refletir a alma histórica e mística de Olinda da melhor forma. Salve este roteiro!09:00 da Manhã: Comece o dia na Praça do Carmo e visite a Igreja do Carmo antes do tempo esquentar muito. Observar a luz suave do sol da manhã batendo na fachada da igreja é um ótimo começo. 10:00 da Manhã: Subindo a praça, inicie a escalada na famosa Ladeira da Misericórdia. Você ficará cansado e suado, mas quando chegar ao topo, aquela vista do oceano vista de frente da Igreja da Misericórdia vai curar toda sua fadiga. 11:30 da Manhã: Desça ligeiramente as ladeiras e vá para o Convento de São Francisco. Sente-se num dos bancos de pedra naquele famoso pátio de azulejos, curta o silêncio, examine os entalhes de madeira e mergulhe no passado. Almoço às 13:00: Dirija-se ao Alto da Sé, o ponto mais alto da cidade. Em vez de procurar um restaurante luxuoso e caro, com ar-condicionado para o almoço, pegue uma tapioca feita na hora nas barracas da praça. Peça também uma água de coco estupidamente gelada, e coma enquanto aprecia a vista do Recife se estendendo abaixo. Tarde às 14:30: Após recuperar suas energias, visite a Igreja da Sé que fica logo atrás de você. Sinta a atmosfera simples, porém poderosa da catedral e observe a torre do sino. Tarde às 16:00: Agora que você está andando devagar a ladeira abaixo, chegue ao Mosteiro de São Bento, que é o pico arquitetônico do dia. Contemple aquele deslumbrante altar dourado durante bastante tempo. Se for domingo, aproveite a chance de ouvir os cânticos. Pôr do sol às 17:30: Encerre seu passeio saindo do mosteiro e comendo, com molho de pimenta quentinho na rua, um acarajé ou, se preferir, um pastel crocante acompanhado de um caldo de cana espremido na hora. Nas ruas de paralelepípedos por onde outrora andavam os antigos barões do açúcar, escravos e monges, feche o dia assistindo ao reflexo do céu avermelhado sobre o oceano.Palavra Final Embora Olinda possa à primeira vista dar a ilusão de ser uma divertida "cidade de férias" com suas casas coloridas, tremenda vegetação tropical e a animação do seu carnaval que atrai as atenções mundiais, é na verdade um dos lugares onde a história colonial, dores, crenças profundas, bem como arte extraordinária do Brasil mais intensamente é vivida. Aquelas igrejas, mosteiros e catedrais centenários não são simplesmente edificações feitas de pedra, madeira e ouro. Eles são a memória coletiva desta terra e daqueles que viveram e morreram aqui. Eles esperam silenciosamente, mas as histórias que contam, ressoam muito alto. Se alguma vez as suas viagens te levarem para o Brasil na próxima vez, não se contente com as famosas praias do Rio de Janeiro nem os arranha-céus de concreto de São Paulo; em vez disso, vá em direção um pouco mais ao norte, ao estado de Pernambuco, para Olinda. Caminhe pelas ruas, compre uma tapioca, sente-se nos degraus seculares de uma igreja, e ouça as histórias esquecidas que esta antiga cidade tem para lhe contar. Fique bem, até nos vermos de novo numa rua de paralelepípedos totalmente diferente numa esquina distante de nosso mundo! Mariana Costa #Brasil #Olinda #Pernambuco #IgrejasHistoricas #ArquiteturaBarroca #NomadeDigital #BlogDeViagens #ComidaDeRua #AmericaDoSul #HistoriaECultura #MarianaCosta #PatrimonioMundialDaUnesco #GuiaDeViagem #Acaraje #Tapioca #DigitalNomad #Brasil #Arquitetura